Dia 26 de Janeiro de 2013 poderia ter sido um dia comum para mim, se não fosse o fato de eu ter decidido encontrar um dos meus 4 irmãos por parte de pai. Gelton Gomes, 21 anos, meu querido irmão. A história começa quando, conheci meu pai, aos 13 anos, e ele casualmente me falou que eu tinha um irmão, que morava na mesma cidade que eu. Apesar disso, não o procurei imediatamente, afinal, aquela insegurança sempre atinge a gente, e pensamos se realmente devemos mexer no que está lá, parado a tanto tempo. Finalmente, após 3 anos resolvi realizar o desejo do meu pai, não só por ele, mas porque senti a necessidade de conhecer alguém que tem um parentesco tão grande e que morava tão perto de mim, porque, bem, algum dia eu poderia não ter mais tempo.
Com o endereço nas mãos, peguei um ônibus e parti em busca do meu irmão. Porém, quando cheguei lá, ninguém parecia conhecer sua avó, dona Júlia, e quando finalmente eu estava prestes a desistir, parei no último comércio da rua. Vi duas senhoras, e talvez por isso tenha me sentido mais a vontade e acabei contando minha história e todas as informações que eu sabia a respeito do meu irmão, mesmo não tendo mais esperanças. Quando eu estava indo embora a cliente da cabelereira me perguntou o nome do meu pai, e então ela reconheceu. Por sorte ela é a melhor amiga da mãe do meu irmão, e me contou que eles haviam mudado para Pirapora há cerca de 5 anos. Ela me passou o telefone da mãe dele e eu liguei. Combinamos de eu ir para a casa deles naquele dia mesmo, à noite.
“Estou prestes a conhecer um dos meus irmãos. A ansiedade é grande, porém o medo também. Pirapora é um lugar distante, pequeno, e no meio do mato – literalmente -. São 20:48 e o ônibus acabou de chegar. Estou sozinha, e o pior é que ninguém exceto minha tia sabe de minha busca, nem de minha viagem de uma hora e meia horas até Pirapora, nem mesmo minha mãe. Estou chateada por ela não saber, no entanto sei que ela jamais permitiria. Tenho esses meus momentos, instantes em que me afasto da lucidez e cometo atos inapropriados. “Mas é por uma boa causa”, eu penso.
A viagem é longa, já são 21:40 e estamos em Santana do Parnaíba. A estrada é escura, do tipo EXTREMAMENTE ESCURA, não dá para ver nada, é como se não houvesse nada para ver – Aliás, não havia nada para ver -, e eu estou aflita porque todos já saíram do ônibus, e estamos apenas Deus e eu, o motorista e o cobrador, que talvez, quem sabe, são assassinos disfarçados? Não.
Acabei de chegar no ponto final de Pirapora – nem um pouco longe a viagem não? – Espero ansiosamente pela irmã de meu irmão quando os vejo se aproximarem. Não posso dizer que não foi incrível quando o abracei, quando senti aquele calor, não um calor entre um homem e uma mulher, mas o calor entre dois irmãos, que em 16 anos não tiveram a oportunidade de se abraçarem e dizerem um para o outro: “Estou aqui para você”. Aquele abraço valeu os 16 anos que estivemos afastados, e os demais valerão ainda mais. Sinto-me corajosa, não só por ter vindo até aqui, mas por ter tido coragem de encarar o desconhecido, acredito particularmente na minha força, aliás, na nossa força, força que todo ser humano carrega, mas não tem noção do que essa força pode alcançar. Estou feliz, e ainda nas nuvens, sei que parece bobo, entretanto não vejo a hora do meu irmão ficar com ciúmes de um namorado que eu arrumar”.

0 comentários:
Postar um comentário