Certa vez, um
amigo me disse que poderia viver somente de amor. Naquele momento, pensei que
era um grande absurdo dizer que uma pessoa movida por um sentimento seria capaz
de viver por ele, com ele e somente dele. Afinal, ninguém vive só de amor. No
entanto, eu dizia isso porque, na verdade, nunca havia amado ninguém. Não sabia
qual era a sensação que o amor podia causar na gente. Eu curtia mesmo a minha
independência, sair com os amigos, não dar satisfações a ninguém, beijar,
abraçar, fazer loucuras numa noite e no outro dia ir embora, sem pegar telefone
ou até mesmo, saber o nome. O importante era viver tudo intensamente, ser livre
de tudo e todos, ser o que eu quisesse a hora que eu quisesse. Mas a vida não é
bem assim. Ela não te pergunta se você quer estar condicionado a depender
totalmente de alguém, além de si mesma. Ela simplesmente coloca alguém em sua
vida e faz com que suas razões sejam apenas em função daquela pessoa. Hoje eu
amo. Amo tanto que me angustio. Há uma agonia que percorre minhas veias que me vicia,
me machuca, me alegra e me entristece. O problema do amor é exatamente esse: Ele
não é só um sentimento, são vários. É uma mistura de sensações e desejos. É a
segurança de amar e ser amado e a incerteza de que terá a pessoa ao seu lado
amanhã ao acordar. São os milhares de planos traçados a partir do momento em
que você entrega seu coração a alguém e o medo de não poder realizar todos. É
essa impressão de que o coração sairá do peito de tanta felicidade e, depois, a
agonia de não poder estar perto o tempo todo, a sensação de demonstrar pouco
aquele sentimento que é maior que o mundo para você. Dizem que amor é loucura.
Certamente a de ser. O mundo muda quando seus sentimentos mudam. Sua visão
muda, suas vontades mudam, tudo muda, pelo simples fato de viver em função de
fazer alguém feliz e assim, ser feliz também. Agora eu sei, também sou capaz de
viver o resto da vida somente de AMOR.
terça-feira, 20 de agosto de 2013
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